12 de outubro de 2011

O Piano

O Piano

Numa simples cidade,numa ilha, com uma porcentagem pequena de população, vivia em uma velha e humilde casa uma pequena família.Vivia uma mãe, desempregada e cuidava de 3 filhos, ambos pobres pois o marido havia falecido meses antes.
Ela era rigorosa com o mais velho, o botava para trabalhar cortando lenha e mandava os dois caçulas irem pedir esmola, ou vender doces na cidade. Mas mesmo com Ira, a mãe tinha uma bondade doce feito mel com os filhos em casa. Era rigorosa no trabalho, pois não queria ninguém molengando  para não faltar dinheiro em casa.
Certo dia, a mãe dos meninos ficou muito doente. Teve um câncer e que não pôde tratá-lo pois não tinham dinheiro. O mais velho, enquanto cuidava da mãe em casa, ordenava os caçulas a pedirem esmola urgente na cidade. Os caçulas desceram o morro da vila onde moravam. Chegaram no deque e um falou para o outro:
- Vou ir pelo outro lado, pois lá tem uma quantidade maior de pessoas! Será bem melhor para pedir esmola.
- E tu se acha o espertinho?! Todos sabem que do outro lado, há uma parte abandonada que ninguém se arrisca a pisar mais lá...Dizem, que é assombrada!
- Tsc! Que assombrada o que! Isto é conversa pra boi dormir! Do outro lado, ouvi dizer que um pirata enterrou um tesouro há muitos anos atrás! Vá pro outro, enquanto procuro o tesouro – mentiu o irmão.

Na verdade, ele queria um pouco de tranquilidade, bolava um plano para salvar a mãe, sua moradia, seus irmãos... Sua vida.
Andava tranquilo e pensativo nas ruas empoeiradas pelo tempo. Passava por lojas de todas as marcas e produtos que podia se imaginar. Todas empoeiradas de terra e areia, imundas e apodrecidas... Sem nenhuma ação humana naquelas construções.
Ele passou por uma vitrine cheia de trompetes, tubas, flautas, tambores, violinos... Enfim, por uma loja de música. Ele pensou: “Puxa! Quantos instrumentos! Poderiam estar sendo tocados e levantando a alegria do povo, invés de ficarem ai... Apodrecidos e estragados  com o passar do tempo, sem olhares para apreciá-los!”
Deu um suspiro e continuou andando... Quando estava virando uma esquina escutou um estranho e suave barulho: “Dó...Ré...Mi..Fá!”.
O menino deu um pulo de susto, virando para o lado rapidamente. Nada, além do vento assoprando a poeira. “Algo se esconde de mim!” – pensou o menino. Andava para frente novamente, mas atento ao barulho. Novamente novos barulhos soaram pela rua: “Sol, Lá, Si, Dó!”. O menino se virou e foi atrás do barulho. “Mi,Mi,Dó,Dó!”...
- Por favor, não tenha medo e vergonha de se mostrar! Me diga onde está você! Quero muito encontrá-lo(a)!
Novamente barulhos com a resposta soaram: “Sol, Lá, Si.”
O menino foi vagarosamente até chegar em frente a loja de música abandonada. Entrou na loja sem mais barulhos, pisando e escutando o estralar das tábuas de madeira podres. Nada. Instrumentos de sopro, violões e violinos estavam pendurados nas paredes caindo aos pedaços. Ele subiu as pequenas escadas em forma de caracol e chegou ao andar de cima, encontrando apenas duas janelas grandes e mais instrumentos velhos.
Mas algo havia de diferente naquele andar: haviam papéis com desenhos engraçados  e em cima de cada um, um título diferente... Pareciam os papéis que via nos consertos realizados por músicos que  tocavam belíssimas músicas em violinos, violões, tubas e trompetes... Mas eram bem diferentes.
Logo ao lado, encontrou uma salinha apertada até parecendo uma cúpula.
Só havia sombras de violinos, violões e flautas nas paredes. Mas os instrumentos pareciam mais novos! Quem diria! Bem no centro havia um pano preto que você se perdia nele de tão escuro que era. A forma que ele cobria, nunca fora vista pelo menino. Talvez nem para os músicos e para a população de sua vila! Um holofote de luz vindo das vidraças do alto desta cúpula, cobriu o espaço negro do pano. O menino, não aguentando de curiosidade, pegou na ponta do pano e foi o puxando de vagar... Até encontrar um objeto de madeira com umas “coisinhas” brancas com peças pretas.
“Meu Jesus Cristo! O que é isso?! Nunca vi antes na minha vida, tal coisa tão parecida como esta!”-pensava o menino suando frio de medo e de curiosidade do objeto que acabara de descobrir.
Numa parte do objeto, estava escrito em ouro com letra cursiva: Piano
“Piano... Que nome lindo para este instrumento! Como coisa tão maravilhosa como esta pode estar abandonada todos estes anos aqui?!”
Uma das teclas do tal “piano” fez ecoar um som reconhecido pelo menino: “Dó, Si, Si,Dó!”
- Ah! Então era você quem produzia este som maravilhoso na rua! E aquele papéis são músicas compostas em po...pa... Piano! Isso! Quero ouvir mais de suas músicas!
O menino juntou todos os papéis do chão e os colocou numa tábua do piano. Então, o menino sentou-se no banco do piano e ouvia atentamente as músicas.
Havia várias lindas... Mas o menino até se emocionou com uma: “Brilha, Brilha, Estrelinha” linda canção!
Aplaudiu o piano encantado e ficou com vontade de permanecer ali para sempre... Mas não podia! Logo se lembrou se sua mãe doente e do trabalho que tinha de fazer!
- Ai! Como sou tolo! Ainda tenho que ajudar minha mãe e meus irmãos... Como fui burro em mudar o caminho... – choramingava o menino em um canto.
O piano permanecia parado, até que uma nota soou: “Dóóó...Ré,Dó,Ré,Dó,Dóó!”
Uma verdadeira orquestra começou a tocar e o menino foi parando de chorar... Parecia que sabia o que o piano tocava.
- Está... Se comunicando comigo?
“Si!”
- C-Como?! Nunca vi gente falar com instrumentos!
“Si, Sol, Dó, Láá!”
- Eu sou uma criança especial? Como assim?
“Dó. Dó,Dó,Ré,Mi,Fá!”
- Vai me ajudar? COMO?!!
“Ré,Ré,Mi,Dó,Ré,Mi,Fá!”

O menino e o piano começaram com uma conversa boa, até que os dois começaram a armar um plano para salvar a pobre mãe doente.
- Achei uma ótima ideia! Além de lindas canções, você toca lindas palavras!
“Dó...”
O menino despediu-se do instrumento e foi correndo até sua casinha, encontrando a mãe já bem enfraquecida...
- Filho... Enfim você voltou... Trouxe a esmola?...
- Não...
- COMO?! COF! COF! Ai, se não fosse esta MALDITA doença eu o daria umas boas... COF! COF! Palmadas!
O irmão mais velho, o admirou e viu que o garoto estava pronto para falar algo.
- Mãe, deixa que eu resolvo... Onde você estava? Por que não trouxe a esmola?
-  Eu posso contar uma coisa que vocês não possam acreditar, mas que vai ajudar a mamãe a se curar da doença rapidinho!
- COMO?! – perguntaram a mãe e o irmão mais velho surpresos.
- É o seguinte...
O menino contou a história toda do instrumento encantado, do lado abandonado, do plano que conversaram... (Mas não o disse, seria uma surpresa!).
- Filho, posso achar tudo isso uma doidera mas algo me disse que devo confiar em.. Cof! Cof! Você...
- Eu tenho total confiança em você também, mas acho que está dando desculpa esfarrapada para fugir do castigo!
Na mesma hora, a mãe branca feito neve, doente e enfraquecida puxou o braço do irmão mais velho com suas forças restantes e o encarou.
- Acredite no seu irmão... Ele pode estar dizendo a verdade!
- Tudo bem, mas quando você e seu “piano mágico” vão agir neste plano?
- Amanhã de manhã, para dar tempo de tudo.
Os três ficaram ali, pensativos “boiando” no nada. Mais tarde, o outro caçula chegou com uma pequena esmola e todos foram dormir.

No dia seguinte, o plano do piano e do menino entraram em ação. Bem cedo, na praçinha central da vila, TODA a população do outro lado e da vila mesmo se reuniram para ver o tal instrumento.
O menino, com sua roupa de sempre se apresentou com um breve discurso:
- Meus senhores, minhas senhoras. Hoje, todos verão a perda de um passado importante que deixaram do outro lado. Um instrumento lindo e curioso para mais de 100% da população, encontrado por mim em uma das lojas abandonadas, irá  deixá-los chocados e emocionados, fazendo-os rever o passado perdido. Prestem atenção, em cada nota tocada e sintam na pele... O mesmo que eu senti quando achei este item do passado.

Ninguém aplaudiu. Todos ficaram curiosos e também ficaram discutindo sobre o menino e a forma naquele pano preto.

Quando o pano foi retirado, silêncio total... A ilha inteira parou quando viu aquele objeto lindo e estranho. Todos estavam prestes a ouvir, o piano.
O menino se sentou no banco e começou a fingir que estava tocando as músicas, deixando todos impressionados inclusive com a habilidade do garoto naquele instrumento estranho. Na verdade, o piano encantado tocava sozinho sem dificuldades nem erros, pela primeira vez, com um sentimento de humanos: “felicidade” de estar fazendo uma ação boa depois de anos coberto na loja empoeirada.
No final, ele tocou a música que mais gostou de ouvir no dia em que descobriu o piano deixando todos chorando em colos e lenços.
Na última teclada, um mar de aplausos... Todos assoviavam, aplaudiam com força, orgulhando a pequena família do menino.
A mãe já despejando lágrimas ficou muito feliz com as músicas e com seu filho principalmente. Os irmãos também aplaudiam o garoto como se fosse uma estátua em ouro.
Todos felizes com as músicas na cabeça.
No final, homens e mulheres parabenizavam o garoto, deixando várias gorjetas em notas e moedas.
Mais tarde após o evento, a pequena família foi a um posto médico ali perto e todos os médicos já sabendo da mãe do garoto espetacular, os deixaram fazer uma breve consulta fiada.
Após os exames feitos, o médico ficou paciente olhando os resultados, com uma cara séria sem expressão alguma de alegria ou tristeza, deixando a família nervosa.
- Meus caros, não encontro nenhum sinal de câncer! Sua mãe está completamente curada! O organismo dela, parece nunca ter tido algum problema tão grave como o câncer! Meus parabéns... Essa é a primeira vez em que vejo a MÚSICA concertar esta doença tão séria e dolorosa!
Ninguém acreditava no que estavam ouvindo.
Felizes com a notícia e com o evento, a cidade inteira comemorou reabrindo novamente a parte abandonada da ilha, restaurando tudo o que havia sido perdido.
Nunca na ilha, a população teve um colorido e uma felicidade tão grande como antes!
O piano, havia sumido dias depois... Não foi roubado, queimado ou devolvido a loja. Ninguém sabia do paradeiro dele. Mas vários outros foram fabricados, abrindo ideias inovadoras na cabeça da população.
 A família que antes era pobre, ficou conhecida por todos e com o dinheiro recebido, construíram uma casa e lá moram eternamente e quem me dera, até hoje.
Podemos encontrar conquistas e felicidades até em objetos e na cultura! Infelizmente, metade do mundo não sabe como encontrá-las.
Fim

1 de outubro de 2011

Outubro Chegou e Novidades Também . . .

Outubro chegou.
O Contos de Fábulas está crescendo a cada dia, destes 10 meses.
Mas não só o Contos de Fábulas como outros planos estão disponíveis a vocês daqui a pouco!
Estou escrevendo um livro digital chamado Layla, mas o blog só irá ser aberto ao público assim que completar pelo menos 5 capítulos.

Neste mês, iremos ter 2 designs diferentes: um chamado Lolipop - do Dia das Crianças
e outro chamado Pumpink11 - do Halloween

Mais planejamentos estão sendo criados, ou desfeitos por causa e mudanças ou desanimação.

Atenciosamente

Mr.Chapeleiro