6 de janeiro de 2012

Estrela Apagada


No dia seis de janeiro de algum ano, um garoto sentou-se em frente a árvore de Natal gigante de sua cidade. A árvore tinha mais de dois metros de altura e era cheia de enfeites, bolas coloridas, lâmpadas hipnotizantes e o melhor de tudo: era natural e permanecia ali o ano inteiro. O garoto olhava para os galhos verde escuros, sentindo ainda um cheirinho que sentira no Natal. Ele sabia que naquele dia, ela iria ser desmontada, de acordo com a tradição, onde os Reis Magos voltaram a seus continentes. 
Ficava meio triste, pois só iria vê-la no Natal que vem, daqui a onze meses. Ele adorava aquela árvore, pois tivera boas lembranças ao ficar ao seu redor. Levantou-se, tirou a sujeira da calça e resolveu pegar uma de suas bolinhas para guardar de lembrança. Foi para casa feliz e guardou a bolinha dentro de um pequeno baú, onde guardava somente as coisas mais interessantes de sua vida que achava por aí, ou escrevia um fato fantástico ou legal ocorrido por ele e/ou junto com sua família.
Ao entardecer, os organizadores de eventos da cidade recolhiam os enfeites, sem perceber a falta de uma das bolinhas. Eles cuidadosamente colocavam os enfeites em várias caixas separadas enquanto conversavam o quanto o Natal era um evento especial para eles, desde quando eram pequenos. Ao fechar as caixas, a cidade parecia ter escurecido mais ainda, não por causa da noite, mas por causa da falta de magia do Natal. Os organizadores foram embora, esquecendo da estrela no topo. 
O garoto que ficara a tarde toda observando a árvore, voltou novamente a ela pois percebeu que a estrela tinha sido esquecida no topo. Sentou-se novamente com a ideia de escalar o pinheiro de mais de dois metros de altura para pegar a estrela, mas decidiu permanecer sentado, esperando o anoitecer, onde a estrela não brilhou mais, finalizando o último dia de comemoração ao Natal. 

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